Região do Viamão

Rio Manso - MG

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OS RITOS IORUBANOS

             Dentro da nossa forma de trabalho no candomblé,  encontramos muitas vezes sensações que fazem com que nós, achemos que estamos sendo vitimas de eguns, Exús, Kiúmbas, etc., quando na  realidade o  que  acontece  na maioria dos casos, e tão  somente, que  nós adentramos  em  um  mar de energia, ao qual nosso  corpo tem  de acostumar.

            O  que  na  realidade seria este acostumar?  Ora  todos  nós acredito eu, viemos ao mundo para cumprir um papel, seja ele qual for. Mas sofremos agressões do ambiente hostil de pseudos-pais de santo, que também são médiuns e infelizmente, estão acasalados no que chamamos de nível 0 em nossos assentamentos.  Então,  quando não  estamos muito bem conosco mesmo, achamos que  estamos  sendo vitimas de espíritos vampiros, etc.

            É preciso que demos um basta a estas coisas, e  acreditarmos principalmente,  em  nossos  Orixás,  e  em  nós  próprios   como espíritos encarnados, não tentando muitas vezes transferir para  a espiritualidade,  os nossos próprios erros, mas  sim  conscientes que somos  espíritos  num eterno  aprendizado  rumo  aquilo  que escolhemos, ou seja, a evolução.

            Aí  entramos  em  um processo de  feitura  que  chamamos  de obrigações seqüenciais.

            Ninguém nasce feito no santo, como se costuma dizer por  ai, mas  sim  se  faz Santo através de  muita  luta  e  perseverança, algumas vezes sofridas, mas sempre procurando o de melhor para si e  para  os  outros  que nós  podemos  auxiliar.  Para  isto  nós precisamos sempre  estarmos  em  progressão,  dentro  das   leis Iorubanas chamadas de obrigações.

            Eu  costumo dizer: Da mesma maneira com que vocês  tratam  o seu Santo, vocês serão tratados por eles.

            O  que eu quero dizer com isto é muito simples, vocês é  que são  os  Santos em feitura, recebendo da energia  da  terra  para poderem se depurar de antigos feitos, e não para ficarem presos a ela.

            Muitas  vezes se verão diante de dificuldades seja de  ordem espiritual, ou pessoal, então, rememorem seus atos, e vejam  como estão agindo para consigo mesmo, e verão que as vezes, são  vocês os únicos culpados do mal estar.

         As  obrigações,  nos auxiliam a que cada vez  mais  tenhamos mais  Axé,  ou  seja, conhecimento de lidar com  as  energias  de Oduduwa,  portanto, são elas imprescindíveis para um  bom  médium que pretenda obrar na senda do rito iorubano.

            Por chamar obrigação, não significa, que nós estamos fazendo obrigados. Não, fazemos as obrigações somente se o quisermos,  ou até  onde nós desejarmos. Ficará sempre a critério de cada  um  o que ele quer ser, ou tenha condições de ser.

            Os Orixás sempre se mostram dispostos a nos auxiliar  sempre que precisamos, sejamos como eles, humildes, dispostos, e  muitas vezes assumindo compromissos que visão auxiliar aos encarnados  e desencarnados rumo à evolução.

            Com  o passar dos anos, aprendi como simplificar  um  ritual milenar  e que é praticado em outras casas. Em outros lugares,  o Pai de Santo tem uma função hierárquica sobre os outros, e de uma tal maneira, que é como se voltássemos aos tempos da escravidão, coisa  totalmente  absurda. As obrigações, são o elo  mais  puro, entre  o Iawo (iniciante) e seu Oloorisha (guia), onde o  pai  de santo,  tem de ser apenas o elemento que induz a que este inicio de  reconhecimento  comece, e não sendo ele o  elemento  que  ira provocar o fenômeno em si, pois se o iniciante, tiver um temor do seu  orientador, e se o orientador for autoritário, é  impossível que  se  comece  a  intercalação de pontos entre  o Iwaô e  seu Oloorisha.

            A primeira coisa sensata que se deve fazer, para àqueles que desejem  entrar em uma casa de candomblé, não é fazer a  raspagem ou  qualquer  outra  coisa, mas sim, entregar a ele,  uma  conta (guia)  de proteção do Orixá regente da casa, para que  ele  pelo menos tenha  uma chance de descobrir se é aquilo mesmo  que  ele quer.  Esta conta, pode ficar imantada no Santo da casa  por  30, 60. ou 120 dias dependendo do Pai de santo ou do iniciante,  após este  período,  o  mesmo  devera decidir se  pretende  ou  não  o ingresso  na casa. Caso opte ele em sair, nada de mais  ira  lhe acontecer, pois é costume dizer: Se você não se desenvolver, tudo na sua vida dará para traz. Ora, isto é uma coação, onde o  livre arbítrio  da  pessoa não prevalece, então  teremos  muitas  vezes pessoas insatisfeitas onde estão, por medo e não por dedicação.

            Estes que assim fazem com as pessoas, é porque infelizmente, existe  a  vontade do ganho material, ou espiritual  em  cima  do médium.  Quando  digo pessoal, é em virtude, de que  em  algumas casas  se  faz  o aprisionamento de sintonia  com  o  corpo  mono estrutural do indivíduo, que fica servindo como assentamento vivo para os desmandos destes indivíduos inescrupulosos. Mas um dia se verão diante de tais desmandos, pois da morte, ninguém escapa.

Gilberto M. C. Filho

  SITE DA COMUNIDADE DO VIAMÃO

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